PPGED - Programa de Pós-Gradução em Educação

UFRN

Informativos

Data: 17/05/2018

NOTA: FALECIMENTO DA PROFESSORA MARTA PERNAMBUCO

CATEGORIA: OUTROS


SOBRE MARTA PERNAMBUCO, RITA HAYWORTH E A DOR DE PERDER UMA ACADÊMICA

Ontem, 14 de maio de 2018, 8h12, como muitos outros colegas perplexos, recebi pelo celular a mensagem da professora Márcia Gurgel, diretora do Centro de Educação da UFRN, comunicando a trágica morte da professora Marta Maria Castanho Almeida Pernambuco, na cidade de São Paulo, onde estava internada e em tratamento intensivo. Um pequeno resumo do seu currículo: licenciada em Física pela Universidade de São Paulo (1972), mestrado em Ensino de Ciências (Modalidades Física, Química e Biologia) pela Universidade de São Paulo (1982) e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (1994), deixa suas marcas nesta Universidade desde 1976, no curso de física e depois no antigo DEPED, na reestruturação do PPGED, com a criação do doutorado em 1994, na sua passagem como Pró-reitora de Graduação da UFRN, de 1996 a 1999. Desde 2003, participou intensamente na implantação e desenvolvimento da SEDIS-Secretaria de Educação à Distância; e, mais recentemente, ocupou a coordenação do PPGED, em 2016, com a recuperação do conceito 5 na avaliação da CAPES em 2017. Essa última conquista ainda nos deixou as lembranças de um memorável baile, quando o clima de festa transbordou-se em uma calorosa confraternização de professores, estudantes e funcionários. Há poucas semanas atrás, antes de sua derradeira viagem para São Paulo, mesmo com dificuldades de locomoção e debilitada, conversava com sorrisos e sugestões no Centro de Educação, participando assiduamente de grupos de conversa, reuniões, encontros, orientações e planos sobre temas que sempre tiveram o seu engajamento decidido: formação de professores, pensamento de Paulo Freire, educação do campo, Educação à Distância, ensino de ciências naturais e educação ambiental. A síntese de uma vida dedicada intensamente ao mundo acadêmico que a formou e a encantou. Pesquisando sobre esse dia na história, encontrei que foi o dia em que Marconi, em 1897, havia feito a primeira transmissão de rádio na história; também foi o dia da criação do Estado de Israel, em 1948, com o êxodo de mais de 700 mil palestinos e a primeira guerra com árabes. Entre esses dois extremos: das possibilidades para o convívio pacífico com a comunicação à distância aos horrores da matança e destruição entre vizinhos, que ainda no dia anterior dividiam terras e cidades sagradas, encontro que, também nesse dia 14 de maio, morria Rita Hayworth, a gloriosa diva de Hollywood, no clássico “Gilda”, com seu sorriso franco, testa larga, timidez atrevida, de presença marcante em qualquer elenco e a névoa do cigarro fumegante em todos os seus filmes. O cigarro nas mãos de Marta, assim como era a marca de Rita Hayworth, poderia ser visto como essa representação de uma mente constantemente acesa, levando a fumaça dos questionamentos e das ideias desafiadoras para um mundo problemático, carente de diálogo e de conscientização. Marta era uma mulher de ciências e de comunicação, disposta para as várias lutas contra as injustiças e discriminações, mas em comunhão com os seus vizinhos oprimidos, bem no estilo de Paulo Freire, o de ninguém se liberta sozinho e que os humanos se educam entre si, em busca do ser mais. Apesar do agravamento dos seus problemas de saúde, que só agora conhecemos a extensão, a professora Marta não expressava lamúrias enquanto guardava invejável disposição para o trabalho intenso. Conhecendo a sua energia criativa, esperávamos ansiosos a recuperação e a retomada de tantos projetos e ações. Certamente, além de lamentarmos sua perda, poderíamos pensar na sua presença nas vidas e obras que vão continuar agindo na Universidade, na educação, nas lutas sociais e nas lembranças de tantos colegas, amigos, estudantes e professores que guardarão a imagem da professora rigorosa e humana, sensível, provocadora, tolerante e agregadora. Desse jeito, continuaremos a imaginar sua presença inconfundível, enquanto respiramos os ares do efêmero mundo acadêmico, que ela soube conquistar e cativar com seriedade, espírito crítico, generosidade e competência. Adir Luiz Ferreira – 14/05/2018

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